Primeiras Jornadas Culturais do Cávado afirmam identidade cultural e histórica de Vila Verde
Atualizado em 13/04/2026



Secretário de Estado da Cultura presidiu à sessão de abertura do evento
As Primeiras Jornadas Culturais do Cávado realizaram-se este sábado, no Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica, na Vila de Prado, assinalando os 180 anos da invasão dos antigos Paços do Concelho, um episódio marcante da Revolta da Maria da Fonte, com forte impacto nos acontecimentos históricos subsequentes.
A sessão de abertura foi presidida pelo secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que destacou a qualidade e pertinência do programa, sublinhando a capacidade da iniciativa para articular diferentes dimensões da cultura, desde a história e a literatura às tradições locais. O governante enalteceu ainda o trabalho desenvolvido pelo Município de Vila Verde na valorização dos seus recursos culturais e identitários, considerando a iniciativa «uma ideia extraordinária».
Referindo-se ao edifício que acolheu o evento, o responsável salientou a sua relevância histórica e simbólica, apontando para uma continuidade entre o seu passado — marcado por momentos de tensão, decisão e mobilização — e a sua função atual enquanto espaço de estudo, transmissão e valorização cultural, hoje dedicado à promoção da tradição oleira da região. Na mesma intervenção, evocou o papel das mulheres minhotas ao longo da história, nomeadamente na sustentação das famílias e comunidades, bem como a memória do escritor D. João de Castro, que residiu e produziu parte da sua obra neste edifício.
O secretário de Estado destacou também a importância histórica e estratégica da Vila de Prado enquanto território de cruzamento de caminhos, ao longo de séculos, por onde passaram militares romanos, comerciantes e peregrinos de Santiago de Compostela.
A sessão contou ainda com a presença da presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, dos vereadores Patrício Araújo e Michele Alves, bem como de representantes das juntas de freguesia locais.
Na sua intervenção, a presidente da Câmara evidenciou a forte tradição oleira da Vila de Prado e de freguesias vizinhas, sublinhando o seu valor histórico, cultural e identitário. Recordou que este território é reconhecido como um dos principais núcleos da olaria tradicional portuguesa, com particular destaque para o barro preto, salientando o contributo dos artesãos locais na preservação e revitalização de técnicas ancestrais.
Promovidas pelo Município de Vila Verde, as Jornadas Culturais do Cávado têm como objetivo valorizar e dar visibilidade à história, literatura, etnografia e demais expressões culturais do concelho, incentivando simultaneamente a partilha de conhecimento e a criatividade local. A iniciativa presta também homenagem a figuras marcantes do território, com destaque para D. João de Castro.
A presidente da Câmara garantiu a continuidade do evento nos próximos anos, afirmando que estas jornadas representam um compromisso estratégico com a promoção da identidade cultural do concelho, prevendo-se a valorização de outras personalidades e temáticas relevantes em futuras edições.
No âmbito das jornadas, foram inauguradas exposições no Centro Interpretativo, incluindo uma mostra de peças em cerâmica pertencentes ao oleiro e colecionador Emílio Pereira, patente até 9 de maio, bem como a exposição “Maria da Fonte”, da autoria de Paulo Sá Machado. O espaço integra ainda um oleiro residente e promove regularmente oficinas abertas ao público, reforçando a ligação entre tradição e contemporaneidade.
