A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, em Vila Verde, assinalou esta terça-feira os 70 anos do jornal O Vilaverdense com uma sessão comemorativa e a abertura de uma exposição, patente até ao final de abril, que mostra a evolução deste órgão de comunicação.
O diretor do jornal O Vilaverdense, Carlos Silva, assinalou os 70 anos da publicação com um discurso centrado na memória, na missão e na responsabilidade do jornalismo, sublinhando o percurso de um projeto “assente em bases sólidas” e fiel aos seus princípios fundadores.
Na intervenção, destacou o papel do jornal enquanto instrumento de informação, formação e reflexão crítica, evocando o pensamento de Eça de Queirós para reforçar a ideia de um jornalismo que deve assumir-se como motor de consciência cívica e social, sendo capaz de “despertar consciências, provocar reflexão, questionar, agitar e dar voz às questões mais exigentes e desafiantes”.
Carlos Silva recordou ainda o contexto do nascimento do jornal, durante o Estado Novo, marcado pela censura, bem como a sua capacidade de resistência e adaptação ao longo das décadas, incluindo a aposta no digital, sem abandonar o valor da edição em papel.
A sessão contou também com intervenções de várias personalidades ligadas ao concelho e à história do jornal. O padre Sandro Vasconcelos, atual presidente da Confraria do Alívio, entidade responsável pela fundação de O Vilaverdense, sublinhou a importância da memória coletiva, referindo que a exposição inaugurada “é a história de uma região”, e destacou o papel do jornal como “veículo de evangelização”, dando voz às paróquias, tradições e expressões da religiosidade popular.
GUARDIÃO DA MEMÓRIA COLETIVA
Já a bibliotecária Manuela Barreto Nunes contextualizou o surgimento de O Vilaverdense no panorama da imprensa local, salientando que o jornal veio colmatar uma lacuna existente e que, ao longo de 70 anos, se tem afirmado como um “fator de coesão territorial”. Destacou ainda o seu valor enquanto fonte histórica, permitindo estudar em profundidade a evolução do concelho na segunda metade do século XX, desde a micro à macro-história.
Também Alberto Nídio Silva enalteceu o papel do jornal como “guardião da memória coletiva”, sublinhando a sua importância para investigadores e para a preservação da identidade local, manifestando “profunda admiração” por quem se dedica à imprensa regional.
Por sua vez, Salvador de Sousa, antigo chefe de redação de um outro jornal de Vila Verde, recordou a evolução desde os tempos em que a produção era artesanal e condicionada pela censura, até à modernização tecnológica. Destacou que O Vilaverdense se tornou um “porta-voz” da comunidade, inicialmente muito ligado à vida local — com notícias de acontecimentos sociais e desportivos — e, mais tarde, como jornal mais generalista, acompanhando as mudanças do tempo.
A encerrar, a presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, considerou o jornal um meio fundamental para preservar e divulgar a história e a identidade do concelho. Destacou a sua capacidade de adaptação, a forte presença digital e a cobertura “exaustiva e permanente” dos acontecimentos locais, defendendo a importância de um jornalismo sério, assente em factos e no contraditório, num contexto marcado pela proliferação de desinformação.
A sessão ficou ainda marcada pela evocação de todos os que contribuíram para a história do jornal.
Patente no piso superior da biblioteca, a exposição pode ser visitada até ao final de abril. Integra o primeiro número publicado, em 19 de março de 1956, tendo também um quadro interativo sobre a história do jornal e da própria imprensa.